Curso Livre “A QUESTÃO DO TEMPO II”
Curso Livre
“A QUESTÃO DO TEMPO II”
Coordenação científica: Filipa Afonso; Mafalda Blanc
Início: 01/10/2025
Fim: 09/01/2026
O presente curso é a continuação da reflexão iniciada no Semestre passado sobre o tempo na história da filosofia. Sem requisito de precedência, destina-se a alunos de filosofia dos três ciclos de escolaridade, e a estudantes universitários ou licenciados de outras áreas do saber. Requer frequência assídua e participada nas aulas (uma sessão semanal) e a elaboração de um trabalho escrito orientado pela docente.
Articulando filosofia do tempo, história da filosofia e fenomenologia, o curso debruçar-se-á sobre a abordagem contemporânea do tempo no idealismo, na filosofia da vida e na fenomenologia, não sem primeiro realizar, a título preambular, uma recapitulação do percurso anteriormente empreendido, da filosofia antiga à primeira modernidade. Assim, contemplar-se-ão, sucessivamente, os seguintes quatro momentos:
- A oposição entre a concepção realista e cosmológica do tempo nos Gregos e a subjectiva e escatológica dos primeiros Cristãos. A sua transposição e consolidação cartesiana na dicotomia entre tempo objectivo e subjectivo. Kant, abrindo caminho ao idealismo, representa a transição para a moderna conceptualização do tempo, interpretando-o como uma condição transcendental da cognição, responsável pela conexão primária da experiência segundo relações ordenadas.
- No seguimento de Fichte, Hegel vai fazer do tempo e da imaginação que o consubstancia o elo de mediação da dialéctica entre o finito e o infinito, motor do desenvolvimento do espírito em direcção da sua autoconsciência racional. Assim, enquanto “conceito intuído”, ele começa por ser o negativo do espírito ou a sua exteriorização enquanto natureza, para depois, como subjectividade, constituir-se como negação da negação e superação.
- No século dezanove e início do século vinte, importantes desenvolvimentos na biologia, na física e na psicologia provocam significativas mudanças na conceptualização filosófica do tempo, que extremam a oposição entre a abordagem objectiva e a subjectiva. Nietzsche e Kierkegaard, contestando o método construtivo e lógico do idealismo e valorizando a experiência, vão aproximar o tempo da vida, interpretando-o como um princípio vital que, subvertendo o actual, a cada momento põe em jogo o sentido da existência.
É a estes desafios que os projectos fenomenológicos de Bergson, Husserl e Heidegger vão, cada um a seu modo, procurar responder. Quer como “duração”, quer como “fluxo interno da consciência imanente” ou “estrutura ontológico-existencial”, o tempo vai aparecer, na sua originariedade, como a condição do sentido e da sua ulterior elaboração racional. A este propósito relevar-se-á, com Cassirer, Gadamer ou Ricoeur o papel constituinte da imaginação produtora e o carácter simbólico e discursivo do seu esquematismo
Este curso livre destina-se a alunos de filosofia dos três ciclos de escolaridade ou a estudantes universitários e licenciados de outras áreas do saber. Não tem outros pré-requisitos de inscrição, exigindo, contudo, frequência assídua e participada nas aulas e a elaboração de um trabalho escrito orientado pela docente.
Total: horas totais: 168; horas de contacto: 45 (15T;30TP) – 6 ECTS
Custo de inscrição: 20€.
Inscrições até 26 de Setembro
Quando:
Quarta-feira às 17h (horário a acertar com os alunos)
Onde:
Sala C201.K Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa