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HPhil Seminar: December 2016

Teorias da Causalidade: um percurso de Leibniz a Kant

14 December 2016, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Sala de Investigadores do CFUL

Gualtiero Lorini (TU Berlin)

No debate sobre a causalidade na Alemanha do século XVIII, a teoria leibniziana da harmonia pré-estabelecida desempenha um papel central. Esta teoria implica pressupostos metafísicos importantes, como a estrutura monadológica do mundo e representa uma alternativa radical à teoria do influxo físico. O objetivo da primeira parte desta palestra é fornecer uma visão geral do debate levantado pelo tratamento leibniziano desta teoria dentro da assim chamada “Segunda Escolástica”, na primeira metade do século XVIII.

Entre as principais figuras deste panorama, temos de contar C. Wolff e A.G. Baumgarten. Enquanto o primeiro é cético em relação à monadologia e aceita a harmonia pré-estabelecida como uma hipótese válida apenas no que diz respeito à relação alma-corpo, o segundo aceita a teoria monadológica e, portanto, adota a harmonia pré-estabelecida no seu sentido universal. No entanto, entre estes dois pontos de referência, podemos encontrar muitos autores que apresentam várias teorias alternativas, que ficam mais perto de um ou d outro, ou que, às vezes, nem sequer são reconduzíveis a nenhuma das alternativas.

Como Wolff e Baumgarten representam duas fontes importantes para Kant, mesmo em relação à sua abordagem de Leibniz, a segunda parte da palestra pretende fornecer uma visão geral sobre a maneira como Kant recebe e interpreta as principais teorias da causalidade que foram propostas e discutidas na sua época. O objetivo é mostrar que, desde o período pré-crítico, Kant nunca se limita a aceitar as alternativas relativas às teorias da causalidade, que ele pôde encontrar nas fontes segundo-escolásticas, mas tenta sempre desenvolver uma posição original.

Partindo de uma aceitação geral da teoria do influxo físico, tal como tinha sida esboçada por M. Knutzen e J. A. Crusius, Kant tenta corrigir esta teoria. Esta correção é realizada através de elementos provenientes da tradição leibniziana. Mas, mesmo neste âmbito, Kant não abraça totalmente o modelo Wolffiano, nem o Baumgarteniano.

Finalmente, a exposição tenta esclarecer a maneira pela qual a conceção crítica do espaço permite a Kant cumprir a sua teoria original da causalidade como uma versão emendada do influxo físico.