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1.º Workshop Luso-Brasileiro de Filosofia Analítica

Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa
21 de Novembro de 2008

Adriana Silva Graça (Universidade de Lisboa e LanCog, Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa)
Os Nomes da Ficção – Solução na Pragmática ou na Semântica?

Nesta apresentação, irei debruçar-me sobre qual a melhor solução para o problema dos nomes vazios (em particular, dos nomes da ficção) não subscrevendo qualquer forma de fregeanismo relativamente ao sentido de nomes próprios nem qualquer versão da admissão de um terceiro reino de entidades. Irei discutir duas alternativas viáveis, uma de índole semântica, outra de índole pragmática, ambas as quais apelativas, analisando os seus custos e benefícios.

Marco Ruffino (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
Componentes Proposicionais Não-Articulados

De acordo com Perry (1986, 1998), o proferimento de uma sentença pode expressar uma proposição contendo elementos que não correspondem a nenhuma parte gramatical (morfema) do proferimento. Perry chama tais elementos de constituintes proposicionais não-articulados. Cappelen e Lepore (2005, 2007), formulam uma crítica forte desta noção: de acordo com estes, a noção de constituintes não-articulados não passa de um mito. Stanley (2000) critica esta mesma noção baseado em outros princípios: de acordo com ele, toda sensibilidade contextual é apenas devida ou a indexicais explícitos ou a indexicais ocultos na forma lógica da sentença proferida. Adicionalmente, Stanley provê evidência sintática para a presença de indexicais ocultos em sentenças usadas como exemplo por Perry. Corazza (2007) defende uma posição híbrida: para este, todos os constituintes proposicionais semanticamente relevantes são ou o valor de elementos gramaticais explícitos ou de uma posição de argumento implícita na forma lógica profunda da mesma, mas isto é consistente com a possibilidade de o falante não ter nenhuma representação consciente deste elemento. Neste artigo analisarei estas três linhas críticas e argumentarei que nenhuma delas é completamente convincente. Eu também adicionarei minhas próprias considerações críticas a respeito da noção de Perry. Minha conclusão será, portanto, puramente negativa, isto é, que nenhuma das posições mais salientes nesta questão é inteiramente satisfatória

Breno Hax (Universidade Federal do Paraná)
Espécies, Qualidades e Substância

Meu propósito é examinar uma reconhecida estratégia de distinção de espécies e qualidades e avaliar a sua plausibilidade na explicação do que designarei como o fato da conjunção de espécies e qualidades. Examinarei a seguir uma segunda estratégia de explicação do fato mencionado que aparentemente é-lhe rival. A segunda estratégia propõe que uma entidade x é de certa espécie e tem determinadas qualidades porque possui certa microestrutura física. Discutirei alguns pontos corretos dessa estratégia e também uma lacuna. Concluirei com a sugestão de uma proposta de entendimento das relações entre qualidades, espécies e substâncias.

Anna Christina Ribeiro (Texas Technical University)
Aesthetic Luck /A Sorte Estética

The idea that some aesthetic experiences and some aesthetic judgments are not open to all aesthetic subjects seems to be the kind of claim that only a cultural snob would make. Yet, the aesthetic experiences and judgments available to a given individual are frequently beyond her control. The issue concerns the character and value of one’s aesthetic experiences and judgments and, ultimately, the possibilities for aesthetic value in one’s life. If there is a phenomenon of aesthetic luck, then (1) all beauty is not open to us, and there is little we can do about it, and (2) our aesthetic subjectivity and notions of beauty are threatened. Attempts to overcome the vicissitudes of aesthetic luck land us in paradox or circularity. One may have to accept one’s aesthetic fate, and the restrictions it places on one’s potential for an aesthetically valuable life.

António Lopes (LanCog, Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa)
Intencionalismo, Anti-intencionalismo e o Verdadeiro Objectivo da Interpretação em Arte: Uma Polémica Genuína?

Desde o alvor da filosofia da arte de matriz analítica até hoje, o debate em torno da relevância das intenções dos autores para a interpretação crítica de obras de arte não parece dar mostras de esgotamento. Mas será esta polémica genuinamente acerca do verdadeiro modo de aceder ao sentido ou significado das obras? Procurarei mostrar que a discordância é mais bem descrita como dando-se ao nível meta-estético, o de saber qual é o objectivo correcto da interpretação. Uma vez que as razões para excluir empreendimentos interpretativos em arte como ilegítimos ou “errados” são minimais, e que as considerações de valor, e não apenas de determinação de sentido, são nesta matéria proeminentes, defenderei que o papel da filosofia da arte deverá restringir-se ao de denunciar empreendimentos que violem tais requisitos minimais ou que descrevam incorrectamente o seu propósito.

João Branquinho (Universidade de Lisboa e LanCog, Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa)
Necessidade Metafísica

Discuto quatro tipos salientes de necessidade: metafísica, lógica, conceptual e natural. Argumento no sentido de mostrar que a necessidade metafísica, necessidade concebida à boa velha maneira aristotélica como fundada na identidade das coisas, tem um papel central na ordem da explicação. A distinção entre necessidade metafísica e necessidade lógica ou conceptual não é uma distinção entre necessidade de re (que pertence às coisas) e necessidade de dicto (que pertence às palavras ou conceitos), pois mesmo as mais triviais verdades logicamente ou conceptualmente necessárias são-no em virtude do mundo, da identidade das coisas (Williamson 2007). Assim, quer a necessidade lógica quer a necessidade conceptual são definíveis, por restrição, em termos de necessidade metafísica. Por outro lado, presumivelmente há verdades naturalmente necessárias que são metafisicamente contingentes (Fine 2005). Todavia, toda a verdade naturalmente necessária em sentido estrito, que o é em virtude da identidade de categorias e propriedades naturais actuais ou nativas, é metafisicamente necessária. Assim, também a necessidade natural (estrita) é definível, por restrição, em termos de necessidade metafísica.

Apoios:
Fundação Nacional para a Ciência e a Tecnologia